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TECNOLOGIAS QUE EDUCAM: ENSINAR E APRENDER COM AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

CARVALHO, FÁBIO CÂMARA ARAÚJO DE;
IVANOFF, GREGORIO BITTAR
Copyright: 2010    1 ª edição   
184 páginas    
ISBN-13: 9788576053675
ISBN-10: 8576053675

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Posfácio

         O trabalho “Tecnologias que educam: ensinar e aprender com tecnologias de informação e comunicação” dos autores Fábio Câmara e Gregório Ivanoff, constitui uma abordagem construtiva e inovadora para a compreensão do uso dos recursos e tecnologias de informação e comunicação no sentido de promover a produtividade do processo ensino e aprendizagem na sala de aula e fora dela.

         Minha expectativa, para dar conta de corresponder ao convite dos autores e da Editora Pearson Education para assinar o posfácio da sua primeira edição, era de curiosidade quanto ao seu conteúdo que não é freqüentemente utilizado como recursos teórico-metodológicos nas minhas aulas, como professora.

         Enquanto esperava a chegada do original do livro, fui me aproximando do tema em alguns autores (MORAM [et al], 2000; SANCHO [et al], 2006; FREIRE, 2000), que funcionaram como “lentes” que permitiram uma reflexão em torno de idéias pontuais sobre tecnologias de informação e comunicação.

         As tecnologias devem ser utilizadas para valorizar a aprendizagem autônoma, incentivar a formação permanente, a pesquisa de informações básicas, o debate, a discussão, o diálogo, o registro de documentos, a elaboração de trabalhos, a construção da reflexão pessoal, a construção de artigos e textos. Elas devem ser utilizadas também para desenvolver a interaprendizagem: a aprendizagem como produto das interrelações entre as pessoas, desde que disponham de um endereço eletrônico. Tudo isto possibilita uma rica troca de vivências, culturas, valores e costumes diversos.

         Sem dúvida, todos os recursos da Internet apresentados neste livro, os casos que ilustram estratégias de como utilizá-los para aprender e ensinar, que as entendemos numa perspectiva construtivista, incentivam o envolvimento do aluno, o intercâmbio de informações, o diálogo e o debate entre os participantes, favorecendo e facilitando pedagogicamente o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.

         Essas tecnologias da informação e comunicação não são neutras. Concordo com Sancho (2006), que o computador e suas tecnologias associadas, sobretudo a Internet, tornaram-se mecanismos prodigiosos que transformam o que tocam, ou quem os toca, motivando a criação de redes de colaboração. Daí vem a fascinação que este livro me proporcionou desde a primeira leitura, e acredito será parte da minha mesa de trabalho, pois terei nele subsídios para enriquecer minha prática docente.

         No entanto, uma política educacional destinada a integrar as tecnologias de informação e comunicação nas escolas e instituições do ensino superior, têm que levar em conta que essa prática de valor e significado pedagógico representará, para a maioria dos professores, um grande esforço para a  aprendizagem de novas habilidades relacionadas com a mudança na metodologia que é muito diferente do modelo tradicional baseado no livro de texto, aula ou anotações. Tenho certeza de que  muitos adultos de meia idade têm atualmente muitas dificuldades para empregar a informática como meio ou ferramenta cultural com a mesma facilidade que utiliza os meios impressos. Este é um problema de fundo que tem a ver com a socialização cultural e o domínio das formas de comunicação digitalizadas que são radicalmente diferentes das formas e mecanismos culturais transmitidos pelos livros e textos escritos. Para esses professores, que foram alfabetizados culturalmente na tecnologia e formas culturais impressas, a palavra escrita, o cheiro de papel, a biblioteca como cenário do saber, foram, e são, o único habitat da cultura e do conhecimento. Embora eu me sinta parte desse grupo, acredito que a apropriação dessas tecnologias venha a se constituir uma ruptura com minhas raízes culturais.

Entretanto, entendo que toda inovação tecnológica tem que ser acompanhada pela inovação pedagógica e por um projeto educativo a fim de não representar uma mera mudança superficial dos recursos sem alterar substancialmente a natureza das práticas culturais nas escolas, faculdades e universidades. Sendo assim, o importante não é encher as aulas de novos recursos, mas transformar as formas e conteúdos do que se ensina e aprende. É dotar de novo significado pedagógico a educação oferecida nesses espaços.

O século XXI exige, e como ressaltam os autores Fábio Câmara e Gregório Ivanoff, há necessidade que se formem cidadãos, quer sejam professores, alunos ou profissionais em geral, capazes de se comunicar com códigos e as formas expressivas da cultura digital. Para tal, as políticas institucionais e programas para a inovação educativa devem incluir em seu projeto de intervenção sociocultural, o uso de tecnologias de informação e comunicação que permitam dar sentido e guiar o trabalho pedagógico desde a Educação Básica com a finalidade que todos os alunos aprendam.  

          Nesse sentido, diz o nosso grande mestre Paulo Freire, a formação técnico-científica de que urgentemente precisamos é muito mais do que puro treinamento ou adestramento para o uso de procedimentos tecnológicos. A compreensão crítica da tecnologia de que precisamos deve ser necessariamente submetida a crivo político e ético.

         Da leitura cuidadosa do texto, da apreensão da proposta dos seus autores, se constitui este livro de inquestionável relevância no processo de ensinar e aprender com as tecnologias, salientando um dos saberes fundamentais à prática educativa diante das condições históricas atuais marcadas pelas inovações tecnológicas saber que mudar é difícil mas é possível (FREIRE, 2000). Reafirmo, assim, a sua indicação para os professores,alunos e para aqueles que nas suas profissões se deparam cotidianamente com os novos desafios das inovações tecnológicas. 

Natal, 10 de maio de 2009.

Profa. Dra. Tânia Câmara Araújo de Carvalho
Profª Adjunta da UFRN. Mestrado e Doutorado em Educação pela UFRN.
Profª Titular da Faculdade Maurício de Nassau.  

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